
As Dolomitas formam uma cadeia montanhosa dos Alpes orientais no norte da Itália. A área dolomítica (secção alpina denominada Alpes Dolomíticos) estende-se entre as províncias de Belluno – que constitui sua parte mais relevante – Bolzano, Trento, Údine e Pordenone.
O ponto mais alto das Dolomitas é a Marmolada, com 3343 m de altitude. Quem gosta da natureza e da montanha no seu mais belo esplendor, não deve falhar uma viagem a estas montanhas. A sua beleza é estonteante, e se no Inverno são ponto importante de desportos de neve, concentrados na cidade de Cortina D’Ampezzo, no verão os seus muitos lagos e encostas verdejantes oferecem a possibilidade de fazer trilhos, passeios e desportos aquáticos em profundo contacto com a natureza. Os lagos normalmente de um tom azul safira ou verde esmeralda, parecem refletir o brilho de joias, contra o céu azul e sol brilhantes. E não por acaso, diversas lendas locais falam em tesouros e jóias as escondidas no fundo dos lagos.
A nossa passagem pelas Dolomitas, foi mais rápida do que desejaríamos, pois o ideal seriam pelo menos 3 ou 4 dias só nas montanhas para poder conhecer todos os locais emblemáticos, fazer trilhos, etc… mas concentrámos o nosso roteiro à volta de alguns dos mais belos lagos, para poder usufruir de todos o enquadramento paisagístico que estes proporcionam e da verdadeira experiência de montanha. Posso dizer que tive oportunidade de ver alguns dos mais belos cenários de natureza, que vi na minha vida. Por isso se a beleza natural e o contacto com a natureza é o que procura, as montanhas Dolomitas são o sítio para si.
Chegámos às Dolomitas, vindos de Veneza em carro alugado no aeroporto Marco Polo. Julgo que é uma das formas mais simples de ali chegar uma vez que a viagem é rápida e fácil. O carro e também o melhor transporte para as deslocações nas montanhas. Escolhemos ficar alojados no hotel Antelao Dolomiti Mountain Resort, em Borca di Cadore, a cerca de uma hora e meia de Veneza e 15 km e 20 minutos de carro, de Cortina D’Ampezzo. Cortina é a cidade mais central das Dolomitas D’Ampezzo, capital dos desportos de Inverno Italianos, e também bastante mais cara em termos de alojamento e alimentação. O hotel que escolhemos, oferece muito conforto, um spa, e um pratico restaurante/ bar, a preços bem mais convidativos. O pequeno almoço foi um dos mais completos da viagem, oferecendo todo o tipo de produtos da região, vários queijos e enchidos, doces e até um favo de mel enorme de onde este escorria, para nos servirmos na hora. Uma delícia!
A nossa incursão pelas Dolomitas começou pela visita ao Lago Misurina, a poucos km de Cortina D’Ampezzo. Este lago é de fácil acesso e tem um trilho muito fácil de fazer à volta do lago. Conta com um parque de estacionamento amplo e também com vários hotéis e restaurantes, bem como com um teleférico que leva a um dos picos das montanhas enormes que o rodeiam.
Antes da visita ao lago, tivemos oportunidade de provar uma das especialidades daquela zona de Itália. Almoçámos bastante bem num restaurante familiar algures na estrada que levava a Borca di Cadore: um típico queijo grelhado acompanhado de polenta. Não deixem de provar esta especialidade alpina. Os raviolis com speck e cogumelos também não estavam nada mal.
Agora sim, estávamos preparados para fazer uma caminhada no lago Misurina, e disfrutar da sua calma e silêncio, rodeados pelas montanhas que ainda mostravam alguma neves nas encostas mais sombrias. A descoberta da flora e a fauna típicas do lago, como as diversas espécies de patos que ali nidificam, são um dos seus principais atrativos.
Daqui do lago sai uma estrada para uma das principais atrações das Montanhas, o rifugio Auronzo (um dos antigos refúgios de montanha) de onde se pode depois aceder aos famosos picos tre cime de Lavaredo, as imponentes três torres de pedra a 2999 metros de altitude. Um trilho de 10 km, relativamente fácil de fazer circunda estes picos grandiosos. Infelizmente a estrada que vai do lago Misurina até Rifugio Auronzo é privada e pediram-nos 30 € para subir e estacionar . Sabíamos que já não íamos fazer outro trilho naquele dia e portanto acabámos por não subir, mas aconselho a quem o possa fazer.
O resto da tarde foi passado a conhecer Cortina e a adquirir alguns livros sobre as Dolomitas na completa livraria do centro. Tudo em Cortina nos faz lembrar o Natal, mesmo no pino do Verão.
No dia seguinte, começámos a nossa incursão pelos lagos escolhidos . A direção era novamente Cortina, depois seguir em frente até ao lago Landro, no sopé do magnífico monte Cristallo e fazer uma primeira paragem, depois lago seguir até ao lago Dobiacco, segunda paragem, e finalmente virar à esquerda, já muito perto da fronteira austríaca para Braies e o seu lago, onde almocaríamos e faríamos um trilho. Tanto o lago di Landro como o Dobiacco são de fácil acesso, perto da estrada e com parque de estacionamento acessíveis. As cores das suas águas são absolutamente magníficas e as suas margens são o sítio ideal para um piquenique.

Lago di Landro 
Lago Dobiacco
Vistos estes lagos belíssimos, estava na hora de seguir para a jóia da coroa: o majestoso e instagramavel lago di Braies. Mas aí o acesso não é tão simples. Na época alta os parques de estacionamento próximos do lago só estão acessíveis até as 10 da manhã e a partir dessa hora as estradas são cortadas e só um autocarro que passa na aldeia de Braies tem acesso ao lago. Então a alternativa é percorrer os 7 km que distam a aldeia do lago a pé. Otimista que me sentia e embora já tivesse lido estas dicas, decidi tentar mesmo assim chegar lá de carro e, já perto da hora de almoço, estacionar junto ao lago. Mas assim que chegamos a Braies, demos com a polícia a cortar a estrada e a mandar-nos para trás. Desilusão! Nem queria acreditar que não ia conseguir ir àquele lago! A maioria das pessoas estacionava por ali como podia, para apanhar o autocarro, mas quase não havia lugares e fomos voltando cada vez mais para trás. E, eis que surge uma rasgo de sorte, e uma das melhores dicas deste post, a já cerca de 2 km da aldeia, vimos o parque de estacionamento dos hotéis Ericka e Edelweiss , que aparecem pela direita de quem deixa Braies para trás. Aí estacionamos para procurar uma possível paragem de autocarro, que por acaso era …mesmo em frente. Apanhamos o autocarro, que passa de 20 em 20 min. , na época alta, sem problemas e quase vazio. Mais à frente na aldeia, uma multidão de turistas esperava esse mesmo autocarro. Escusado será dizer que não houve lugar para todos e a maioria teve de esperar por outro. Sem querer tínhamos acertado! Outra alternativa para evitar madrugar será ficar num hotel entre a aldeia e o lago. Há alguns lindos e é muito prático.
Chegámos finalmente ao lago di Braies e deslumbrarmo-nos com a vista. A expectativa era alta, mas mesmo assim a realidade conseguiu superá-la nesse perfeito dia de sol! Só há um restaurante no lago, que vende sobretudo salchichas e sanduíches e por isso decidirmo-nos logo a abastecermo-nos de sanduíches e água, para um piquenique nas margens. Começamos o nosso trilho pela esquerda ( à direita fica o hotel do lago e a margem mais frequentada por famílias e grupos ) e apreciámos todas as vistas que as diferentes perspectivas nos podiam proporcionar, enquanto demos a volta ao lago, o que demora pouco mais de uma hora. A meio do caminho parámos para o almoço. Que bela ideia ! Na cabine de madeira logo a entrada, também se podem alugar barcos a remos, para uma experiência relaxante. No entanto fica o aviso: se querem fazer aquelas fotos sozinhos no lago, tem de chegar bem cedo ! Digo 6 ou 7 da manhã !
Com pena nossa estava na hora de iniciar o regresso, depois de retomar o carro e seguindo no sentido de Bolzanno, passando por pequenas vilas, mais austríacas que italianas, como Bressanone, onde ainda fizemos uma pequena paragem para conhecer. Aproveitem para comprar o famoso speck e outras especialidades nos mercados de rua ou charcutarias. Percorremos depois a província do Trentino-Alto Adige até chegar já bem tarde, a cidade Trento, onde finalmente dormimos.
Muito mais haveria por explorar, quer na cadeia das Dolomitas quer na província do Sud-Tirol, Alto Adige, mas fica aqui uma sugestão de viagem ou viagens, de acesso mais fácil do que poderia parecer, e de tal maneira compensadoras em beleza, que tenho a certeza se tornarão inesquecíveis tal como foram estes dias para nós!






















